Inteligência artificial registra salto de 183% no uso corporativo em 2026

Inteligência artificial registra salto de 183% no uso corporativo em 2026

A adoção da inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho brasileiro consolidou uma trajetória de crescimento acelerado ao longo de 2026. Dados compilados pela Luria revelam que a base de usuários ativos da tecnologia nas empresas cresceu 183% entre janeiro e agosto, em comparação ao mesmo período de 2025. O levantamento, que analisa o comportamento agregado em setores como varejo, energia e serviços financeiros, aponta que a ferramenta deixou de ser um recurso pontual para se tornar parte integrante da jornada diária dos colaboradores.

Além da expansão na base de usuários, o volume mensal de consultas realizadas nas plataformas de IA avançou 240%. Esse movimento indica uma mudança qualitativa na forma como os profissionais interagem com a tecnologia, que passou a acompanhar diferentes etapas do expediente. Segundo a Luria, o uso tornou-se mais frequente e menos concentrado em horários específicos, sugerindo uma integração mais profunda nos processos corporativos.

Mudanças na rotina de trabalho com inteligência artificial

A distribuição do uso da tecnologia ao longo do dia apresentou alterações significativas em relação ao ano anterior. Embora os picos de maior atividade ainda ocorram às 11h e às 15h, a curva de utilização tornou-se mais espalhada, com um aumento notável nas consultas realizadas logo no início da manhã. O período entre 14h e 18h concentra 41% das interações, enquanto o intervalo das 9h às 12h responde por 29% do volume total.

O comportamento semanal também apresenta variações, com terças e quintas-feiras registrando a maior intensidade de uso. Em contrapartida, as sextas-feiras mantêm o menor volume de consultas entre os dias úteis. A análise destaca ainda que metade dos usuários realiza, em média, três ou mais consultas por dia, reforçando a recorrência da ferramenta na execução de tarefas.

Expansão e desafios na escalabilidade tecnológica

O crescimento do uso não ocorreu de maneira linear. O levantamento identificou um período de estabilidade em abril, seguido por dois momentos de expansão acentuada em maio e agosto. A empresa ressalta que os dados são anonimizados e representam o comportamento agregado na plataforma, sem expor informações individuais de usuários ou companhias.

Apesar da alta na utilização, o desafio para as organizações permanece na transição entre o uso experimental e a escalabilidade estratégica. Enquanto o mercado global aponta que apenas uma pequena parcela das empresas consegue consolidar a IA como um pilar de alto desempenho, o foco atual das lideranças corporativas tem se voltado para a retenção do conhecimento gerado por essas interações.

Preservação do conhecimento e inteligência organizacional

Para o CEO da Luria, Allan Miranda, a vantagem competitiva das empresas não reside apenas na escolha do modelo de IA, que sofre atualizações constantes, mas na capacidade de internalizar a inteligência produzida. O executivo alerta que tratar as interações com a IA como conversas descartáveis impede que a organização evolua.

A estratégia defendida é o registro sistemático dessas trocas, permitindo que o conhecimento gerado permaneça na companhia mesmo com mudanças de pessoal ou de ferramentas. Dessa forma, a tecnologia deixa de ser apenas um suporte momentâneo e passa a atuar como um ativo estratégico que se acumula a cada novo ciclo de trabalho.

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